Mais de 400 pediatras, em carta, apoiam aulas presenciais

Mais de 400 pediatras, em carta, apoiam aulas presenciais

Mais de 400 pediatras assinaram uma carta apoiando a retomada das aulas presenciais. O Sindicato dos Professores de São Paulo (SinproSP), por outro lado, não apoia a ideia.

Por Redação em 30/11/2020

Um grupo de mais de 400 pediatras assinou uma carta apoiando a volta das aulas presenciais.

No documento, os autores apresentam artigos científicos que mostram que o retorno às atividades escolares presenciais é seguro – contanto que medidas de proteção individual sejam adotadas.

Até esta terça-feira (24), quase 2.000 pessoas já haviam assinado o documento de forma digital. De acordo com os autores do texto, pelo menos mil dessas assinaturas pertencem a médicos.

Os organizadores da iniciativa dizem que se trata de um grupo independente de instituições de saúde e ensino, sendo que a maioria deles é de São Paulo.

No documento, os autores argumentam que os mais jovens muito raramente têm complicações graves da Covid-19.

De acordo com a infectologista pediátrica Luciana Becker Mau, uma das autoras da carta que deverá ser encaminhada ao Ministério Público de São Paulo, a ideia surgiu de um grupo com cerca de 40 pediatras que se reúne para discutir os casos e estudar o papel das crianças na atual pandemia.

“Percebemos que falta informação de qualidade para a população. Queremos fornecer subsídios para a tomada de decisões”, afirma.

Sindicato não quer a volta às aulas

Em setembro, quatro sindicatos de professores de São Paulo acionaram a Justiça para pedir a suspensão da volta às atividades presenciais nas escolas do estado, que estava previstas para 8 de setembro.

Além disso, o Sindicato dos Professores de São Paulo (SinproSP) já declarou que é contra a volta de qualquer atividade presencial em 2020 em todas as escolas.

Confira na íntegra a carta de apoio a volta das aulas presenciais

A CIÊNCIA PELA REABERTURA DAS ESCOLAS.

Nós pediatras, reconhecendo atentamente o momento complexo em que estamos e a discussão urgente sobre o lugar das crianças e da escola na pandemia, consideramos crucial que algumas informações já consagradas cientificamente sejam bem divulgadas.

Listamos abaixo os pontos mais críticos e enviamos a seguir alguns dos tantos artigos que embasam estas informações:

– As crianças se infectam menos do que os adultos, 2 a 5 vezes menos. O risco de se infectar é menor quanto mais jovem a criança.
– São muito raras as complicações nessa faixa etária, representando apenas 0,6% dos óbitos (sendo as crianças 25% da população nacional).
– Para as crianças, a exposição a COVID-19 as coloca em risco muito menor do que a exposição ao vírus influenza. E as escolas não fecham nos surtos de gripe.
– Apesar do que se supôs no início da pandemia, as crianças não são super-spreaders (disseminadores) do COVID-19.
– A grande maioria das crianças é assintomática ou apresenta sintomas leves, principalmente os mais novos. E desta forma, transmitem menos.
– As escolas, seguindo os cuidados indicados, não são locais de maior infecção. A experiência europeia provou enfaticamente isso.
– Com as medidas de prevenção, a escola é segura para os professores e funcionários.
– No Brasil e no mundo, as crianças se infectaram mais em casa através dos próprios familiares expostos do que na escola.
– Os impactos do isolamento social prolongado no desenvolvimento infantil e saúde mental são imensos e duradouros. Obesidade, transtornos de ansiedade, transtornos do sono, danos pela exposição excessiva a telas são alguns dos muitos prejuízos.

Sobre vacinação na faixa etária pediátrica:

Até o momento os testes clínicos da maioria dos laboratórios contemplaram adolescentes e adultos. A vacina produzida pela Universidade de Oxford e AstraZeneca foi a única a incluir crianças entre 5 a 12 anos. No Brasil, entre os testes clínicos autorizados pela ANVISA, a faixa etária dos testes clínicos é a partir de 16 anos. Ou seja, vacina para crianças não é uma realidade pra curto nem médio prazo.

O tempo da pandemia já é e seguirá longo. Agora temos que refletir sobre seus impactos a curto, médio e longo prazo. Sejamos justos com a infância e comprometidos com o futuro de todos

Para ler a matéria completa, acesse o site Folha de São Paulo.