Por Redação em 18/05/2022

A Netflix emitiu um memorando onde incentiva funcionários a pedir demissão se acharem o conteúdo transmitido "prejudicial".

Mais especificamente, o memorando, chamado Netflix Culture, trata da cultura corporativa. Ele inclui uma nova seção chamada "Expressão artística", explicando que a empres não "censurará artistas ou vozes específicas", mesmo que os funcionários considerem o conteúdo "prejudicial", e declara sem rodeios: "Se você achar difícil suportar nossa amplitude de conteúdo, a Netflix pode não ser o melhor lugar para você.”

O adendo ao documento aparece em grande parte como resposta à controvérsia sobre “The Closer”, um especial de comédia de Dave Chappelle que foi chamado de "transfóbico" e "homofóbico" por algumas pessoas que trabalham para a Netflix.

O co-CEO Ted Sarandos defendeu a decisão da empresa de manter o Chappelle especial no serviço, provocando uma grande paralisação de funcionários em protesto.

“Entreter o mundo é uma oportunidade incrível e também um desafio porque os espectadores têm gostos e pontos de vista muito diferentes. Por isso, oferecemos uma grande variedade de programas de TV e filmes, alguns dos quais podem ser provocativos”, diz a nova seção. “Para ajudar os membros a fazer escolhas informadas sobre o que assistir, oferecemos classificações, avisos de conteúdo e controles parentais fáceis de usar".

“Nem todo mundo vai gostar – ou concordar com – tudo em nosso serviço”, continua o texto. “Embora cada título seja diferente, nós os abordamos com base no mesmo conjunto de princípios: apoiamos a expressão artística dos criadores com quem escolhemos trabalhar; fazemos programas para diversos públicos e gostos; e deixamos os espectadores decidirem o que é apropriado para eles, em vez de censurar artistas ou vozes específicas.”

A seção conclui: “Como funcionários, apoiamos o princípio de que a Netflix oferece uma diversidade de histórias, mesmo que encontremos alguns títulos contrários aos nossos próprios valores pessoais. Dependendo da sua função, você pode precisar trabalhar em títulos que considera prejudiciais. Se você achar difícil suportar nossa amplitude de conteúdo, a Netflix pode não ser o melhor lugar para você.”

Embora a Netflix afirme que não censurará o conteúdo da plataforma, a empresa cumpre as leis de censura do governo em todo o mundo. Por exemplo, em 2021, atendeu a sete solicitações de remoção das Filipinas, Rússia, Turquia, Cingapura e Vietnã.

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Foto: Souvik Banerjee@rswebsolsSouvik Banerjee

Por Redação em 18/05/2022

A gigantesca Netflix confirmou que irá demitir mais 150 funcionários em resposta a queda do número de assinantes e desaceleração no crescimento da receita.

"Como explicamos a respeito dos lucros, nosso crescimento lento da receita significa que também estamos tendo que diminuir nosso crescimento de custos como empresa", disse um representante da Netflix à CNBC.

"Infelizmente, estamos nos despedindo de cerca de 150 funcionários hoje, a maioria sediada nos EUA. Estas mudanças são impulsionadas principalmente pelas necessidades empresariais e não pelo desempenho individual, o que as torna especialmente difíceis, pois nenhum de nós quer dizer adeus a colegas tão incríveis. Estamos trabalhando arduamente para apoiá-los nesta transição tão difícil".

A nova rodada de demissões vem depois que a empresa despediu uma equipe inteira de escritores que escreviam para o Tudum (uma espécie de blog oficial sobre os filmes e séries em catálogo). Quase todos os demitidos eram "mulheres de cor".

Causas da queda do número de assinantes

A Netflix perdeu mais de 200.000 assinantes este ano e deverá ter uma hemorragia de outros 2 milhões até o final do ano, enquanto o preço de sua ação caiu 70% desde janeiro.

A alta dos preços, o fim do lockdown e o aumento da concorrência afetaram muito a empresa.

Além de um quadro econômico cada vez pior, a Netflix tem sofrido internamente depois que foi tomada pela "máfia da lacração", sendo que alguns funcionários protestaram até mesmo contra pogramas em catálogo, como o especial de comédia do Dave Chapelle.

A decisão de lançar o filme Cuties 2020, que sexualizou meninas menores de idade, também teve um impacto negativo sobre a reputação da empresa.

Cena do trailler oficial de "Cuties"
https://www.youtube.com/watch?v=M0O7lLe4SmA
Trailer oficial de "Cuties"

No mês passado, Elon Musk afirmou que a Netflix ter abraçado "o vírus da mente lacradora" estava tornando-a "impossível de assistir".

A gigante da tecnologia desperdiçou uns belos 75 milhões de dólares quando chamou o Príncipe Harry e sua esposa Meghan Markle para fazer mais conteúdo progressista que ninguém vai assistir.

Se as coisas continuarem como estão, talvez não demore muito até que a Netflix siga o mesmo caminho que a CNN+.

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Foto: freestocks

Por Mari Gatti em 16/05/2022

A Aos Fatos foi condenada por publicar informações falsas sobre o Jornal Cidade Online.

Em síntese, a "agência de checagem" acusou o Jornal de integrar uma suposta “rede articulada de desinformação” em parceria com a viúva do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que mantém um site chamado A Verdade Sufocada.

A Aos Fatos argumentou que o site e o Jornal Cidade Online teriam em seus códigos-fonte o mesmo número de identificação do programa de monetização do Google, o Google AdSense, e que isso seria uma prova da “rede de fake news”.

Trecho de reportagem de Aos Fatos

Entretanto, o Google desmentiu tal narrativa.

Emerson Grigollette, advogado do Jornal, solicitou ao Google que a acusação fosse averiguada, e a big tech deu a seguinte resposta em relatório: “Não encontramos nenhum registro de que a URL ‘http://averdadesufocada.com’ faça ou tenha feito parte do Programa do Google AdSense.”

Ao proferir a sentença, o juiz Diego Diel Barth, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, disse que o posicionamento do Google sobre o caso fez cair por terra a acusação da Aos Fatos.

A determinação do juiz: Aos Fatos condenada a indenização e a retirar matérias do ar

Barth determinou que a empresa deve pagar uma indenização no valor de R$ 10 mil e retirar do ar as matérias com informações falsas, incluindo a reportagem "Rede de desinformação do Jornal da Cidade Online irriga site de viúva de Ustra”. O prazo é de 5 dias após o recebimento da intimação da sentença, passível de multa diária de R$ 500 em caso de descumprimento.

Tai Nalon, fundadora do Aos Fatos, disse ao Poder360 que ainda não havia recebido a notificação judicial e que não sabia o conteúdo da condenação.

* Mari Gatti, escritora.


Foto: Jorge Franganillo