Quem ganhou e quem perdeu nas eleições 2020

Quem ganhou e quem perdeu nas eleições 2020

Neste artigo Matheus Valadão discute, encerrado o segundo turno, quem teve ganhos políticos e quem perdeu nas eleições 2020.

Por Matheus Valadão em 01/12/2020

Discuto a seguir quem teve ganhos políticos e quem perdeu nas eleições 2020.

Quem ganhou

  1. DEM: recuperou o prestígio que tinha da época que tinha várias capitais e era um pêndulo político. Perdeu na época do PT e recuperou agora. Porque? Porque não é mais “oposição”. Oposição faz partido derreter em certos locais que o DEM tinha muita força como Bahia e a Região Sul.
  2. Boulos: ganhou força política em detrimento do PT e possui força para influenciar o debate político em 2022. PSOL ganhou capital (Belém) e o PT não.
  3. Líderes locais que consolidaram seu domínio: Ronaldo Caiado (governador de Goiás), Ratinho Júnior (governador do Paraná) e Eduardo Leite (governador do Rio Grande do Sul). São líderes que elegeram vários de seus candidatos.
  4. PSB: apesar de ter perdido prefeituras, manteve sua influência no que realmente importa: Campinas (com a eleição do aliado Dário Saadi) e Recife (com João Campos sendo eleito prefeito).

Quem perdeu nas eleições 2020

  1. Flávio Dino: o governador do Maranhão (do PC do B) em 2016 e 2018 conseguiu ampliar seu domínio em cima do Estado, elegendo tudo que lançaram. Porém a oposição venceu em Imperatriz e em São Luiz (Eduardo Braide fez uma campanha bem feita e se elegeu sendo abertamente de oposição ao Dino). Apesar de bem avaliado, Dino precisava manter seu domínio amplo no Estado para disputar coisas maiores para garantir que o PC do B passe na cláusula de barreira em 2022. Além disso, a divisão na sua base transforma esses dois últimos anos de seu mandato em uma anarquia.
  2. PC do B: não elegeu vereador em São Paulo, quase não elegeu em Campinas, perdeu Prefeitos para PDT e PSB (como Edvaldo, de Aracaju) e com o desastre de Dino em 2020 há o risco do PC do B não eleger deputados federais em São Paulo (Orlando Silva foi eleito por causa de votos do PT), em Minas Gerais, em Sergipe e na Bahia. Assim não atingindo a cláusula de barreira em 2022. Talvez tenha sido quem mais perdeu nas eleições 2020.
  3. PDT: não elegeu muitas lideranças em São Paulo nesse ano de 2020. PDT continua um partido forte apenas no Ceará (estado do Ciro), no Rio Grande do Sul (por causa da família Brizola), em Minas Gerais e no Mato Grosso (por causa do Otaviano Pivetta, vice-governador do MT). Qual é o problema do Ciro nisso ? Não dá para fazer um Projeto Nacional de Desenvolvimento sem um Projeto de Base. Os ciristas podem argumentar: “ahhh elegemos o Kalil” (Kalil é do PSD) ou “ahhh temos a vice do João Campos e do ACM Neto”. Não dá pra contar com o DEM no projeto; só com o PSB.
  4. Novo: não conseguiu eleger o número que se imaginava de vereadores e prefeitos. São dois problemas: Estatuto rígido demais e a questão nacional. Porém o Novo é um partido sendo criado do zero, então é normal esse crescimento mais lento. Os quadros estão sendo criados agora. Por isso vai ser necessário alguns ciclos eleitorais para o partido crescer de forma sustentável. Crescer rápido demais produzirá um PSL 2.0.
  5. João Dória: perdeu aliados na Região Metropolitana de São Paulo (Mauá, Mogi das Cruzes e Diadema), além de Campinas e Bauru. A eleição paulistana mostrou que, apesar da vitória do Bruno Covas, a chance do PSDB ser desocupado do Governo de São Paulo é ainda maior. Dória tem um problema gigantesco: pra ser Presidente, ele precisa do DEM. E pra ter o DEM, ele precisa apoiar Rodrigo Garcia para Governo em 2022. O problema é que o PSDB paulista é contra abrir mão do Estado de São Pauilo. Quem catalisará essa revolta se chama Orlando Morando (prefeito de São Bernardo, reeleito com alta margem).

*Matheus Valadão é estudante de Economia na Unicamp. Foi um dos fundadores do Unicamp Livre e ocupou a Coordenação de Comunicação do DCE da Unicamp no ano de 2018 (único ano com uma gestão mais ao centro). Hoje é coordenador local do Students for Liberty Brasil.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil.