Quatro consequências inesperadas de se aumentar os impostos sobre os mais ricos

Quatro consequências inesperadas de se aumentar os impostos sobre os mais ricos

Muitas pessoas pensam que aumentar os impostos sobre os mais ricos faz parte de uma política "socialmente justa" e "boa para o país".

Por Redação em 15/01/2021

Não são poucas as pessoas que acreditam que obrigar os mais ricos a pagar mais impostos seja uma política “socialmente justa” e “boa para o país”. O que eles não reconhecem são as quatro consequências inesperadas de se aumentar os impostos sobre os mais ricos.

Segundo o artigo do Portal Mises Brasil, assinado por Ubiratan Jorge Iorio e Leandro Roque, não seria exagero afirmar que, de modo geral, as pessoas ficariam contentes se tivessem suas contas pagas por terceiros. E governos costumam ser ótimos em insuflar este sentimento assistencialista.

Apesar de o tema já ter sido abordado pelos autores em 2017, o assunto nunca teve tão em alta como agora.

Em tempos de “pandemia de Covid-19”, o assunto ganhou representatividade com quatro projetos no Senado, mesmo se sabendo que existem muitas consequenciais de se aumentar os impostos sobre os mais ricos.  

Consequências do aumento de impostos para os mais ricos

Em uma situação econômica normal, muitas (e inesperadas) são as consequências quando se aumentam os impostos sobre os mais ricos. Antes de tudo, vale ressaltar que estes problemas ou consequências podem aumentar e muito em tempos de depressão econômica.

De acordo com os autores, e “deixando as questões morais de lado — nunca é ético e justo aumentar o confisco sobre os mais bem sucedidos”. Portanto, confira a seguir as quatro principais consequências econômicas de se aumentar os impostos sobre os mais ricos.

1. Aumentar impostos sobre os ricos afeta os mais pobres

Segundo os autores, é impossível isolar os custos de qualquer imposto. No caso dos impostos indiretos, que todas as pessoas pagam, isso é explícito.

Mas o que poucos entendem é que isso também é válido para os impostos diretos, principalmente sobre a renda. A grande maioria das pessoas pensam que cada indivíduo paga sozinho, quando na verdade, isso é falso.

“Se, por exemplo, a alíquota do imposto de renda que incide sobre as rendas mais altas fosse elevada em 30% (valor próximo ao aumento que chegou a ser aventado pelo governo, que queria elevar a alíquota máxima de 27,5% para 35%, o que corresponderia um aumento de 27%), os trabalhadores de renda mais alta reagiriam a isso negociando um aumento salarial”.

Em outras palavras, a maior alíquota do imposto de renda reduziu os salários líquidos; o consequente aumento nos salários elevou os salários brutos. A partir disso, a cadeia se desenrola. Os empresários irão repassar estes maiores custos aos consumidores, até o ponto em que possam elevar preços sem sofrer uma relativamente grande perda no volume de vendas. Assim, os consumidores que compram o produto com o custo mais alto, ajuda a pagar aumento na carga tributária que supostamente deveria afetar apenas os “mais ricos”.

2. Não existe dinheiro ocioso; toda tributação diminui investimentos

De acordo com o artigo do Portal Mises Brasil, os mais ricos podem fazer tres coisas com o dinheiro que ganham: consumir, investir ou doar.

“Se ele doar, estará ajudando os necessitados. Se ele gastar em consumo, estará garantindo emprego e renda naqueles setores que o servem. Se ele investir, estará estimulando o crescimento econômico e gerando empregos”.

Ao contrário do muitos ainda pensam, o dinheiro dos mais ricos não fica parado dentro de uma gaveta ou dentro de um colchão.

Uma coisa que você precisa entender é: no atual sistema monetário, todo o dinheiro está em algum depósito bancário.

“Não importa se o rico comprou ações, debêntures, títulos, CDBs, LCIs, LCAs ou LCs, aplicou em fundos de investimento ou em fundos de ações: no final, este dinheiro caiu em alguma conta bancária, e será emprestado pelos bancos para financiar investimentos”.

Vale ressaltar, em primeiro lugar que, ao comprar títulos privados, ele está diretamente financiando algum investimento.

E diante disso, se houver tributação deste dinheiro, o governo fará apenas com que o dinheiro que antes era ou doado, direcionado para determinados setores (garantindo emprego e renda), ou investido em coisas, ficando sob os caprichos de seus burocratas e bancando toda a máquina estatal. Isso seria uma simples e direta destruição de capital. 

3. Ricos não são inertes; eles tendem a proteger seu patrimônio

Sabe o que pode acontecer com um aumento de impostos sobre as rendas mais altas? É que algumas pessoas podem deixar de pagar esses impostos.

Vamos a um exemplo real: Gerard Depardieu abandonou a França para não ser obrigado a pagar a nova alíquota de 75% instituída pelo então governo socialista.

Dois anos depois, o governo francês se viu obrigado a revogá-la, pois o aumento da arrecadação foi ínfimo (a alíquota afetava apenas mil pessoas e proporcionou somente 250 milhões de euros a mais de arrecadação).

Agora vamos falar sobre o parlamento britânico que durante os anos 1960 e 1970 aumentou os impostos sobre os mais ricos. Personalidades como Ringo Starr e Roger Moore se mudaram para Mônaco. David Bowie se mudou para a Suíça e os Rolling Stones começaram a buscar paraísos fiscais.

E tem outros nomes como: Phil Collins, Michael Caine, Pink Floyd, Led Zeppelin, Freddy Mercury, Sting, Frederick Forsyth e Sean Connery deixaram o Reino Unido, pelo menos temporariamente, como exilados fiscais.

De acordo com Ubiratan Jorge Iorio e Leandro Roque, “aqueles que sabem que serão o alvo preferencial dos futuros confiscos podem imaginar o que está por vir e, consequentemente, agir de acordo — normalmente, enviando seu dinheiro para o exterior ou simplesmente saindo do país”.

Dessa forma, qualquer tentativa do governo de jogar o fardo tributário exclusivamente sobre os mais ricos fará apenas com que cada vez mais ricos deixem o país.

4. Os gastos do governo aumentam de acordo com a receita

O quarto problema com o aumento de impostos sobre os mais ricos é que isso simplesmente gera uma reedição da Lei de Parkinson. Dessa forma, o professor Cyril Northcote Parkinson afirmou que, em uma burocracia estatal, “os gastos sobem de encontro à receita.”

Ou seja, sempre que o governo eleva os impostos, ele eleva também seus gastos correntes.

O gasto público sempre cresce concomitantemente à receita. Não há nenhum motivo para crer que “desta vez será diferente”, e que um aumento dos impostos sobre os ricos será efetivo e definitivo.

“Ademais, todo aumento de impostos sempre se traduz majoritariamente em mais benesses para políticos, burocratas e todo o inchado setor público, sem nenhum benefício líquido para o povo, que agora estará com menos dinheiro no bolso. Um aumento de impostos consolida a hipertrofia da burocracia estatal, aumentando ainda mais seu peso sobre o setor produtivo e, consequentemente, afetando ainda mais o crescimento econômico e a criação de riqueza”.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.


Foto: Daniel Barnes.