O vácuo do Partido Novo

O vácuo do Partido Novo

Matheus Valadão explica o vácuo que se formou no Partido Novo.

Por Matheus Valadão em 16/06/2020

No dia 30 de maio, o pré-candidato a Prefeitura de Campinas Antônio Carlos Bertelli anunciou a sua desistência da disputa, por razões pessoais. Com isso, o Partido Novo passa a ter apenas candidatos ao legislativo nas eleições campineiras.

E o Diretório Municipal e Estadual tentaram colocar uma nova candidatura, o que foi negado pelo Diretório Nacional. Inúmeras oportunidades de construção política foram desperdiçadas pelo Novo em nome de “não podemos crescer rápido demais senão viramos um PSL”. Um exemplo foi a construção do Diretório Municipal do Novo em Valinhos e em diversos municípios mineiros que foi impedida.

Isso deixa um vácuo porque o Novo cumpre um papel importante dentro da Direita Independente no Congresso Nacional. Mas essa influência não resvala na Executiva Nacional e na Burocracia Partidária.

Quais são os problemas desse Burocratismo Excessivo:

1) O Partido não ter representantes dos Mandatários na Executiva impede que ele sinta o termômetro de Brasília. Algo importantíssimo para o partido não cometer o mesmo erro da Marina Silva (de não se posicionar em temas importantes e na velocidade que a militância quer).

Sim, da mesma forma que é ruim ter uma Executiva Nacional só de Mandatários passa a ser ruim ter só gente desvinculada de mandatos.

2) As decisões internas ainda não são totalmente transparentes. De forma que pode ser eleito um Presidente do Partido sem total consonância com a militância de base.

3) Por fim, é eleito um Presidente Nacional totalmente desconhecido. No lugar do Amoêdo, entrou Eduardo Ribeiro (ex-Presidente do Novo de SC e Primeiro Secretário da Executiva Nacional) e que tem apenas 1.881 seguidores em seu perfil pessoal.

Presidente Nacional precisa ser um quadro que represente a expressão máxima do Partido. E não digo que só o Novo esteja errado nisso.

“Isso deixa um vácuo porque o Novo cumpre um papel importante dentro da Direita Independente no Congresso Nacional.”

O PL (Partido Liberal) tem José Tadeu Candelária como Presidente Nacional. Que é pau mandado do Valdemar Costa Neto (dono do PL).

4) Falta de uma Coordenação Jurídica eficiente para atuar perante o Supremo Tribunal Federal. Inúmeras vezes o Partido Novo perde oportunidade de questionar ações no STF porque o Diretório Nacional fica em SP, o que impede ações na velocidade e no timing certo.

Muitas vezes as ações jurídicas são conduzidas pelos mandatários do Novo, o que não tem o mesmo efeito perante o Supremo Tribunal Federal.

5) Ter um Diretório Nacional dessincronizado dos mandatários e dos filiados faz com que o Partido não sinta o som das ruas.

E qual é o som das ruas: a Aliança pelo Brasil não estará formada, temos uma Eleição Municipal e é certo que um número gigante de políticos do centrão estarão eleitos porque os setores políticos corretos não participaram da disputa na forma correta.

Isso afetará Campinas com a eleição de um Rafa Zimbaldi da vida.

E afetará 2022, com o risco da recuperação do establishment eleger um Presidente da República consonante com os valores da Constituinte (PT, PSDB e MDB). Tanto os valores positivos como os inúmeros valores negativos que contribuíram com o derretimento do Ciclo Político da Constituinte.

Esse período não existe mais. E temos que trabalhar para que ele não volte.

*Matheus Valadão é estudante de Economia na Unicamp. Foi um dos fundadores do Unicamp Livre e ocupou a Coordenação de Comunicação do DCE da Unicamp no ano de 2018 (único ano com uma gestão mais ao centro). Hoje é Coordenador Local do Students for Liberty Brasil.


Foto: Talles Kunsler.